• Lilia Alves - Massoterapeuta e Quiroprata

Dor nas Costas no Isolamento Social: Como aliviar?

Atualizado: Jul 1



Isolamento social propicia uma conjunção de fatores predisponentes para surgimento de dores nas costas

A dor nas costas sempre foi um problema que afetou democraticamente pessoas adultas de todas as idades, sexo e nacionalidades com uma intensidade e frequência que dependem de uma série de fatores. Entretanto, nesse momento em que milhares de pessoas em todo o mundo encontram-se obrigadas a cumprir o isolamento social como forma de controle da pandemia de Covid-19, a queixa de dor nas costas tem aumentando quase que exponencialmente.


Se você que ler agora esse texto, sente este tipo de dor e está curiosa (o) para saber os motivos pelos quais as dores nas costas aumentam muito nesses tempos de quarentena, verifique se você se enquadra em um ou mais grupos abaixo.


Principais fatores relacionados com aumento de dores nas costas durante isolamento social

  1. Grande contingente de pessoas fazendo home-office. Trabalhando de casa em móveis que não foram ergonomicamente projetados muitas pessoas assumem posturas inadequadas para suas atividades.

  2. Aumento do índice de sedentarismo. Pessoas ficam isoladas em casa sem manter uma rotina de exercícios físicos seja em academias, ou simplesmente caminhar no percurso ida-volta ao trabalho.

  3. Aumento do índice de sobrepeso. Confinamento doméstico com a falta de exercícios e possível descontrole alimentar contribuem para agravar um dos principais fatores relacionados a dor nas costas – o ganho de peso.

  4. Por fim, a consequência do próprio isolamento social que impõem sobre os seres humanos uma relevante sobrecarga mental e emocional afetando diretamente o aparecimento de dores musculoesqueléticas.


A maioria das pessoas está acostumada com o impacto de fatores físicos sobre as dores que sentem em seus corpos. Dessa forma, os fatores 1, 2 e 3 mencionados acima não fazem causam estranhamento a ninguém. Afinal, podemos aceitar de forma quase intuitiva que má postura, sedentarismo e sobrepeso impactam negativamente sobre a saúde da coluna vertebral. Contudo, os efeitos decorrentes do próprio isolamento social, em consequência da sobrecarga mental e emocional, são mais difíceis de serem aceitos como elemento desencadeador de episódios de dor física.


Importância dos fatores mentais e emocionais para dor nas costas


A atual crise de saúde pública global que vivenciamos não encontra precedentes na História e dentre as muitas mudanças que vem proporcionando, está tornando mais clara algumas nuances que eram antes difíceis de perceber, mas que sempre existiram. Uma dessas nuances é o efeito dos fatores emocionais e mentais sobre a saúde do nosso corpo.


Fatores mentais e emocionais também desempenham um papel importante na dor nas costas e não devem ser negligenciados.


Uma pesquisa científica britânica realizada com 9299 pessoas de ambos os sexos mostrou que a sensação de solidão decorrente do isolamento social esteve associado com um aumento de cerca de 30% na intensidade e frequência de dores musculoesqueléticas crônicas (1). Outro estudo europeu conduzido na Dinamarca com 204 pacientes chama a atenção para o impacto do dito “Isolamento Social Percebido” sobre a intensidade dos episódios de dor lombar (aquela dor sentida no final da coluna). Nesse estudo os pesquisadores verificaram que quanto maior o nível de isolamento social percebido pelos sujeitos maiores eram as chances de sentir dor lombar incapacitante (2). Nesse mesmo estudo o isolamento social esteve associado com aumento do índice de ansiedade.


Embora o objetivo desse texto seja o de abordar apenas o problema de dor nas costas, o que falamos sobre o isolamento social poderia ser aplicado também a outros tipos de dores. Por isso nos limitaremos aqui a citar rapidamente o recente estudo intitulado "O impacto do distaciamento social na interferência da dor", publicado no Annals of Behavioral Medicine que avaliou o efeito sobre dores crônicas (3). A pesquisa indicou que "pacientes com escores mais altos de isolamento social relataram níveis significativamente mais altos de interferência na dor e níveis significativamente mais baixos de função física".


O peso relevante dessas pesquisas aponta que, nesses tempos de isolamento social em que vivemos, não basta apenas cuidar de nosso corpo. Se quisermos evitar o surgimento das incômodas dores nas costas devemos olhar igualmente para a nossa saúde mental e emocional pois elas são igualmente importantes. Este costuma ser um ponto crítico de falha, pois a maioria de nós está acostumado a cuidar dos fatores físicos e ignorar os psíquicos/emocionais até que estes se acumulam e surgem na forma de dores ou outros problemas.


O que fazer para aliviar e evitar a dor nas costas decorrentes do isolamento social


Embora nao exista um procedimento 100% eficaz pra evitar esse tipo de dor, seguir uma série de cuidados simples, certamente ajuda muito a aliviar as dores e prevenir o aparecimento de novas.

Observe sua postura e ergonomia. Procure trabalhar em casa da melhor maneira possível, ficando atenta (o) às questões ergonômicas e também à sua postura. Procure evitar excesso de trabalho e sobrecarga a sua coluna vertebral.


Coloque lembretes no celular para se exercitar regularmente: Agora que as empresas fecharam as portas e milhões estão trabalhando em casa, se mexer regularmente parece desafiante para quem trabalha em casa. Entretanto isso é vital. Ponha alarmes no celular para levantar-se, caminhar (mesmo que dentro de casa) e alongar-se regularmente.

Adote uma prática de saúde mental: Ja está mais que cientificamente provado a correlação direta entre dor crônica, ansiedade ou depressão. Dai a importância de cuidar da mente e de cuidados emocionais. Refugie-se em atos simples de autocuidado, seja diário, meditação, fazer um bule de chá, criar listas diárias de gratidão ou cozinhar. Um aspecto positivo foi que o distanciamento social fez com que o movimento de autocuidado explodisse - utilize os muitos recursos online para encontrar idéias e conectar-se com outras pessoas que fazem o mesmo. Faça do seu sono uma prioridade: É importante tentar manter uma rotina regular de sono para melhorar suas chances de sono ininterrupto. Além disso, a privação do sono pode piorar a dor. Vá para a cama no mesmo horário todas as noites, levante-se no mesmo horário todas as manhãs, evite tirar cochilos durante o dia.

Mantenha perto do coração quem está longe dos olhos: não descuidar das relações é um fator crítico no isolamento social. Mesmo nao podendo interagir diretamente, é possivel usar tecnologia para manter o circulo social ativo. Família e amigos são muito importantes e não podemos nos esquecer disso. Mensagem, ligaçoes ou mesmo recado nas redes sociais para lembrar as pessoas da importância delas na sua vida é um recurso válido, aproveite. Super importante lembrar - este conselho so vale para as boas relações, aquelas que te fazem crescer, evoluir e ser quem você é. Aproveite o isolamento e deixe morrer as relações abusivas e ruins.

Recursos naturais terapêuticos disponíveis: quiropraxia ou uma fantástica massagem sempre é uma ótima opção de grande eficácia para se livrar da dor nas costas que insiste incomodar.


Por fim, não esqueça de relaxar com o próprio isolamento social. Você ja conhece os cuidados, mas nao custa reforçar que é importante usar máscara, evitar todo tipo de aglomerações e principalmente lave bem as mãos com água e sabão. Isso tudo vai passar.


REFERÊNCIAS


  1. Smith, T. O., Dainty, J. R., Williamson, E., & Martin, K. R. (2019). Association between musculoskeletal pain with social isolation and loneliness: analysis of the English Longitudinal Study of Ageing. British Journal of Pain, 13(2), 82–90. DOI: 10.1177/2049463718802868

  2. Oliveira VC, Ferreira ML, Morso L, et al. Patients' perceived level of social isolation affects the prognosis of low back pain. European Journal of Pain (London, England). 2015 Apr;19(4):538-545. DOI: 10.1002/ejp.578

  3. Karayannis NV, Baumann I, Sturgeon JA, Melloh M, Mackey SC. The Impact of Social Isolation on Pain Interference: A Longitudinal Study. Ann Behav Med. 2019;53(1):65-74. DOI:10.1093/abm/kay017.


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