Aromaterapia clÃnica: o que é e para que serve
- Lilia Alves - Massoterapeuta e Quiroprata
- 14 de mar. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 11 de abr. de 2023
Quando se fala em aromaterapia é quase automatica a associação mental com velas ou produtos de limpeza doméstica de cheiro agradável, fragrâncias ambientes ou loções perfumadas para melhorar o humor. Mas aqui trataremos da aromaterapia clÃnica, um conceito diferenciado, que é a aplicação intencional de óleos essenciais de plantas para a obtenção de uma resposta terapêutica.

Definindo termos - aromaterapia x óleos essenciais
o termo 'Aromaterapia' em si no contexto da aplicação clÃnica é um pouco impróprio, porque é uma palavra que evoca o nome 'aroma' que remete a cheiro bom, mas nem todos os óleos essenciais são dotados de cheiro ou odor agradável.
Um descrição mais apropriada que aromaterapia poderia ser a 'terapia feita com óleo essencial', mas simplesmente não tem o mesmo nome que a Aromaterapia clÃnica e não ficaria fácil de lembrar.
Então, como é definida a aromaterapia clÃnica? Uma definição da aromaterapia clÃnica é o uso controlado de óleos essenciais para obter uma resposta terapêutica.
Alguns orgãos de sáude no mundo, como o National Cancer Institute (NCI) nos Estados Unidos, define como Aromaterapia ClÃnica como o uso terapêutico de óleos essenciais para melhorar o bem-estar fÃsico, emocional e espiritual, ou nas palavras do proprio NCI:
"A aromaterapia clÃnica é uma terapia de medicina alternativa/complementar que pode ser benéfica no ambiente hospitalar ou ambulatorial para o gerenciamento de sintomas de dor, náusea, bem-estar geral, ansiedade, depressão, estresse e insônia. É benéfico para ansiedade pré-operatória, oncologia, cuidados paliativos hospitalares e cuidados domesticos de saude." (Farrar & Farrar, 2020)
A definição do NCI é uma abordagem bem mais abrangente e precisa. Independente de definição que você prefira adotar, basta ter em mente que a aromaterapia clÃnica é muito mais do que apenas cheirar ou criar um ambiente acolhedor com odores. Existe uma certa quantidade de óleos essenciais especÃficos usados ​​para criar uma resposta terapeutica mensurável especÃfica.
Outro aspecto de fundamental importancia versa sobre a natureza dessa terapia. Por se tratar de uma pratica de medicina alternativa, a terapia funciona como um complemento ao tratamento médico convencional, e nao como substituto.
Como funciona a Aromaterapia Clinica?
Quando o óleo essencial na aromaterapia é inalado, as moléculas ativam os sistemas olfativo, respiratório, gastrointestinal e/ou tegumentar dependendo da via pelo qual se admnistra o óleo . Essas moléculas são capazes de liberar neurotransmissores, como endorfinas, para desencadear uma sensação de bem-estar e um efeito analgésico. Existem vias comuns que desencadeiam uma resposta fisiopatológica à s moléculas de aromaterapia. A via mais comum é a inalação, como por um difusor. A ativação da estimulação olfativa produz uma mudança imediata nos parâmetros de pressão arterial, pulsação, tensão muscular, dilatação da pupila, temperatura corporal e fluxo sanguÃneo.(2)
A ação atraves da via de inalatoria pode ser resumida assim:
A estimulação olfativa pela aromaterapia viaja pelas narinas até o bulbo olfativo.
O estÃmulo então viaja para o cérebro para processamento, onde a amÃgdala desencadeia uma resposta emocional e o hipocampo recupera e/ou forma memórias.
O sistema lÃmbico interage com o córtex cerebral, ativando pensamentos e sentimentos.
As moléculas de aromaterapia inaladas viajam para o trato respiratório superior e depois para o trato respiratório inferior.
Moléculas então viajam para os vasos sanguÃneos pulmonares para a corrente sanguÃnea e depois para órgãos e tecidos
Em resumo, as moléculas de aromaterapia inaladas afetam mente, corpo e emocional.
A segunda via de administração comum é através da pele, como uma massagem, na qual as moléculas são absorvidas diretamente pela pele. O caminho é resumido:
As moléculas viajam para o trato respiratório superior e depois para o trato respiratório inferior.
As moléculas então viajam para os vasos sanguÃneos pulmonares, para a corrente sanguÃnea e depois para órgãos e tecidos.
A via da pele pode ativar a estimulação olfativa e também ativa a aplicação de óleo perfumado na via da pele, desencadeando uma resposta mental e fisiológica.
A absorção de óleos essenciais pela pele pode reduzir o estresse percebido pelo paciente, melhorar a cicatrização e aumentar a comunicação.
O que são os óleos essenciais

Os óleos essenciais são produtos naturais extraÃdos de uma variedade de partes de plantas, como folhas, caules, raÃzes, flores e cascas. Eles são tipicamente extraÃdos através do processo de destilação ou extração a vapor, que é um método de raspagem usado nas cascas de frutas.
Do ponto de vista quÃmico, óleos essenciais são compostos por uma mistura altamente complexa de muitas substâncias. Para ter uma ideia, cientistas ja classificaram mais de 3.000 mil moléculas aromáticas na natureza. Embora nem todas essas moléculas estejam nos óleos essenciais isso denota a ideia da complexidade desses óleos quando vistos sob o prisma cientÃfico-analÃtico. Não focaremos quÃmica nesse texto, mas é importante compreender que alguns constituintes quÃmicos são a base das propriedades terapêuticas dos óleos essenciais.
Embora seja costume falar que os óleos essenciais são considerados a força vital ou a essência da planta, ponto de vista bioquÃmico, os óleos essenciais são metabólitos secundários que ajudam na sobrevivência da planta como por exemplo atrair polinizadores, assegurar proteção contra patógenos trazido por insetos, etc.
As indicações mais comuns para o uso de óleos essenciais em serviços de saúde, além de sintomas de náusea, incluem dor, ansiedade, estresse, fadiga, náusea, sono e conforto geral.
Alguns dos óleos essenciais comuns usados ​​em ambientes clÃnicos são: lavanda, laranja doce, tangerina, hortelã-pimenta, bergamota, incenso, camomila romana e manjerona doce. Alguns desses óleos são usados ​​em combinados ou isolados. Alguns são usados ​​como uma massagem tópica diluÃda, enquanto outros são usados ​​para inalação.
Vários óleos essenciais podem ser usados ​​com uma finalidade clÃnica para ajudar pacientes com sintomas evidentes ou apenas conforto geral. É importante salientar que essa é uma técnica de medicina complementar e não um procedimento a substituir uma terapêutica já prescrita.
Para saber mais sobre benefÃcios da aromaterapia e conhecer mais sobre óleos essenciais, acompanhe as postagens em nossas mÃdias sociais ou em nosso website.
REFERÊNCIAS
Ashley J. Farrar and Francisca C. Farrar. (2020). Clinical Aromatherapy. National Cancer Institute. Nurs Clin North Am. 2020 Dec; 55(4): 489–504. DOI: 10.1016/j.cnur.2020.06.015
Libster M.M. In: Clinical aromatherapy essential oils in healthcare. 3rd edition. Buckle J., editor. Elsevier; St Louis (MO): 2015. How essentials oils works; pp. 15–36.
Kaufmann C. Nature’s essential oils: aromatic alchemy for well-being. The Country Man Press; New York: 2018. Chapter 14. Grass; pp. 213–218.
